
A cirurgia plástica de rejuvenescimento facial, incluindo lifting facial e lifting cervical, também conhecido como ritidoplastia, pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a se sentirem mais alinhadas com a imagem que têm de si mesmas. Esses procedimentos visam restaurar o formato do rosto, remodelar os contornos e reduzir os sinais visíveis de envelhecimento.
Embora muitas pessoas fiquem satisfeitas com os resultados físicos, é importante considerar que mudar o rosto, a parte mais pessoal e visível da nossa identidade, também pode desencadear experiências psicológicas e emocionais complexas. Revercomb et al. (2024); Santos et al. (2024).
Ao contrário de outros procedimentos estéticos que podem ser escondidos ou revelados seletivamente, os resultados do lifting facial e do lifting de pescoço são evidentes. Essa visibilidade pode evocar uma resposta emocional mais profunda tanto em quem faz o procedimento, quanto nos amigos e familiares, e, para alguns, até mesmo uma sensação de vulnerabilidade pode surgir. Revercomb et al. (2024). Você não está apenas ajustando uma parte do corpo, mas a forma como o mundo te vê e, talvez, como você se vê. Santos et al. (2024).
Experiências Emocionais Comuns
1. Mudança no senso de identidade
O rosto está intimamente ligado à nossa autoimagem. Após uma cirurgia plástica, mesmo mudanças sutis podem criar temporariamente uma desconexão entre como você se sente por dentro e o que vê no espelho. Kaleeny; Janis (2024).Você pode:
- Sentir que tem uma aparência “diferente”, mesmo que estejam mais felizes com a própria aparência.
- Precisar de tempo para se acostumar com o novo visual.
- Lamentar os sinais de envelhecimento que se foram, apesar de desejar que desaparecessem quando buscou pela cirurgia.
2. Altas expectativas com relação a autoestima e autoconfiança
É natural esperar que uma mudança estética traga mais satisfação com a própria aparência e aumente a autoconfiança. No entanto, é importante compreender que o objetivo de uma cirurgia não é eliminar inseguranças profundas, ou resolver conflitos relacionais e nem modificar, por si só, a forma como nos sentimos em todas as áreas da vida. Kaleeny; Janis (2024).
Quando expectativas irreais são depositadas no procedimento — como acreditar que ele salvará um casamento, garantirá aceitação social, trará felicidade permanente ou fará desaparecer sentimentos antigos de inadequação — o risco de frustração aumenta significativamente. A cirurgia pode contribuir para o bem-estar e para a autoestima, mas ela não substitui o desenvolvimento emocional e o cuidado com a saúde mental. Kaleeny; Janis (2024).
Quando expectativas irreais são depositadas no procedimento — como acreditar que ele salvará um casamento, garantirá aceitação social, trará felicidade permanente ou fará desaparecer sentimentos antigos de inadequação — o risco de frustração aumenta significativamente. A cirurgia pode contribuir para o bem-estar e para a autoestima, mas ela não substitui o desenvolvimento emocional e o cuidado com a saúde mental. Kaleeny; Janis (2024).
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3. Oscilações emocionais no período pós-operatório
O período de recuperação costuma ser mais desafiador do que muitas pessoas imaginam. Inchaços, hematomas, desconforto físico e a impossibilidade de visualizar imediatamente o resultado final podem gerar ansiedade, irritabilidade, tristeza e arrependimento temporário. Stachechem et al. (2024).
Algumas pessoas relatam pensamentos como: “Será que fiz a escolha certa?”, “Nunca mais vou parecer comigo mesma” ou “E se o resultado não ficar como eu esperava?”. Essas reações, especialmente nas primeiras semanas, tendem a ser transitórias e fazem parte do processo de adaptação física e emocional. Preparar uma rede de apoio completa para enfrentar os desafios do pós operatório é essencial. Stachechem et al. (2024).
No entanto, o verdadeiro divisor de águas é fazer acompanhamento psicológico específico para cirurgia plástica em todo o processo cirúrgico, começando no pré-operatório e se estendendo até o pós-operatório. Stachechem et al. (2024).
4. Reações das outras pessoas
Comentários de familiares, amigos e colegas podem impactar a experiência emocional do pós-operatório. Enquanto alguns demonstram apoio e entusiasmo, outros podem reagir com curiosidade excessiva, críticas ou julgamentos sobre a decisão tomada.
Preparar-se psicologicamente para essas diferentes respostas ajuda a fortalecer a convicção de que a escolha foi feita com autonomia e baseada nos próprios valores e desejos, e não para atender às expectativas alheias. O cuidado psicológico nesse período é essencial para que a paciente tenha apoio para sustentar suas escolhas diante do contexto social. Kaleeny; Janis (2024).
A importância da preparação psicológica
A avaliação e a preparação psicológica antes da cirurgia têm como objetivo favorecer uma decisão consciente e promover um ajuste emocional mais saudável ao processo de transformação. O acompanhamento intra e pós-operatório são indispensáveis para atravessar esse período de instabilidade com maior conforto e segurança, preparando a mente para receber e se satisfazer com a nova imagem que vê no espelho. Kaleeny; Janis (2024). Stachechem et al. (2024).
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Durante esse acompanhamento, podem ser explorados aspectos como:
- As motivações para a realização da cirurgia;
- As expectativas em relação aos resultados;
- A relação da pessoa com o envelhecimento e com a própria imagem;
- O impacto da aparência na autoestima e nos relacionamentos;
- Estratégias para lidar com o período de recuperação;
- A identificação de sinais de sofrimento emocional significativo, como ansiedade intensa, depressão ou preocupações excessivas com defeitos percebidos na aparência.
Em alguns casos, também é importante investigar a presença de características compatíveis com o Transtorno Dismórfico Corporal, condição em que a preocupação com supostas imperfeições físicas causa sofrimento importante e pode comprometer a satisfação com qualquer resultado estético obtido.
Como se preparar emocionalmente
Algumas atitudes podem tornar essa experiência mais tranquila:
- Busque informações claras e realistas sobre o procedimento e o tempo de recuperação;
- Converse abertamente com seu cirurgião sobre dúvidas e expectativas;
- Organize uma rede de apoio para o pós-operatório;
- Evite comparar seus resultados com fotografias de outras pessoas;
- Permita-se viver o período de adaptação sem pressa;
NÃO ABRA MÃO DO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO ANTES E APÓS A CIRURGIA. Acredite, esse pode ser o grande diferencial para uma cirurgia plástica bem sucedida!
Considerações Finais
Optar por uma cirurgia plástica de lifting facial e cervical é uma decisão profundamente pessoal. Buscar se sentir melhor com a própria aparência não é um ato de vaidade superficial; muitas vezes, representa o desejo legítimo de que a imagem refletida no espelho esteja mais próxima da vitalidade e da identidade que a pessoa reconhece dentro de si.
Ao mesmo tempo, é fundamental lembrar que o envelhecimento faz parte da experiência humana e que nenhuma intervenção estética define o valor, a dignidade ou a identidade de alguém. A cirurgia pode modificar traços do rosto, mas a identidade é construída por meio da integração entre corpo, história, emoções e relações. E é aqui que o acompanhamento psicológico se mostra essencial.
Quando a decisão é construída através de um caminho baseado em preparação, informação, alinhamento de expectativas e suporte emocional adequado, a cirurgia plástica vai além de uma transformação estética e torna-se uma experiência que integra a consciência física e mental, promovendo a segurança e gentileza para consigo mesma.
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Referências
REVERCOMB, Lucy; PATEL, A. M.; CHOUDHRY, H. S. et al. Assessing patient satisfaction following facelifts with social media reviews. Aesthetic Plastic Surgery, New York, v. 48, p. 5266–5272, 2024. DOI: https://doi.org/10.1007/s00266-024-04273-x. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00266-024-04273-x. Acesso em: 16 mai. 2026.
SANTOS, Wellington Flávio Cardoso dos; ROZEIRA, Carlos Henrique Barbosa; SILVA, Marcos Fernandes et al. Espelho quebrado: o impacto psicossocial da cirurgia plástica na autoimagem. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, São Paulo, v. 6, n. 7, p. 296-316, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n7p296-316. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/3829. Acesso em: 16 mai. 2026.
STACHECHEM, Simone Kempf; MAZZARO, Franco Ricieri; LUNARDI, Maria Elisa; MARGRAF, Juliana Gomes; BETTES, Julia Buquera; BETTES, Paulo Sergio Loiacono. Procedimentos cirúrgicos estéticos em pacientes diagnosticados com transtorno dismórfico corporal. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, São Paulo, v. 39, n. 4, 2024. Disponível em: https://www.rbcp.org.br/details/3538/pt-BR/procedimentos-cirurgicos-esteticos-em-pacientes-diagnosticados-com-transtorno-dismorfico-corporal. Acesso em: 16 mai. 2026.







