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Principais transtornos mentais | Parte I

Atualmente os temas saúde e transtorno mental são amplamente divulgados e tem-se a falsa impressão de que eles não são mais estigmatizados. No entanto, infelizmente a realidade é outra. Saúde e transtornos mentais continuam cercados por estigmas. Você sabia que 9 em cada 10 pessoas com problemas de saúde mental sofrem estigma e discriminação? O…

Pânico solidão angústia bipolar

Atualmente os temas saúde e transtorno mental são amplamente divulgados e tem-se a falsa impressão de que eles não são mais estigmatizados. No entanto, infelizmente a realidade é outra. Saúde e transtornos mentais continuam cercados por estigmas. Você sabia que 9 em cada 10 pessoas com problemas de saúde mental sofrem estigma e discriminação? O estigma pode ser entendido em termos de três componentes: estereótipos , preconceito e discriminação .

O estigma pode aparecer através de pensamentos e preconceitos, e/ou comportamentos (bullying, evitação, violência psicológica, verbal e física, etc.), que deixam consequências significativas. As pessoas podem sentir medo e evitar contato com quem deles padece, como se os transtornos fossem transmissíveis, ou como os portadores fossem pessoas difíceis de conviver, “pesadas”, ou culpadas pelo seu padecimento.

Como consequência, que sofre com os transtornos podem: enfrentar limitações na capacidade conseguir e manter um emprego, ou um lugar seguro para viver, reduzir o desejo de buscar tratamento e apoio, bem como suscitar o medo de não ser aceito pela família, amigos ou pela comunidade em geral, e manifestar comportamento evitativo, fugindo de relacionamentos ou atividades sociais. O preconceito e a discriminação podem gerar sentimentos de vergonha e culpa, e aumentar ainda mais a gravidade do transtorno. É urgente que sejamos mais compassivos e empáticos, tanto ao falar a respeito do tema, quanto ao nos relacionarmos com que está passando por isso.

É sempre bom lembrar qual o real conceito de empatia: “Empatia significa viver temporariamente a vida de outra pessoa, movendo-se nela com delicadeza, sem fazer julgamentos.” Carl Rogers

Hoje vamos conversar um pouco sobre cinco transtornos que frequentemente encontramos na sociedade atualmente? Vem comigo. Você encontra mais informações sobre outros cinco transtornos nesse post aqui.

Ansiedade

A ansiedade é o transtorno mental mais comum atualmente, e pode assumir diferentes formas. Experimentar algum nível de ansiedade é uma normal e esperado, é um mecanismo protetivo com o objetivo de suscitar reação diante de ameaças. No entanto, torna-se do transtorno quando a preocupação, o medo e a angústia são permanentes e pioram com o tempo, aparecendo sem a presença de qualquer tipo de ameaça real e trazendo prejuízos significativos nas diversas áreas da vida do indivíduo. A boa notícia é que a ansiedade tem tratamento .

A ajuda profissional é necessária. A singularidade de cada pessoa precisa ser considerada durante o planejamento e implementação do tratamento, e o profissional deve ser capaz de selecionar os melhores recursos para cada caso. O objetivo geral é reforçar os mecanismos de enfrentamento já existentes e construir mecanismos novos. mais eficazes. Técnicas de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são as com maior comprovação de eficácia (funcionamento), mas é muito interessante associá-las a abordagens que tratam das questões mais profundas do indivíduo, trabalhando-o como um todo.

TDAH

Aproximadamente dois terços das crianças com TDAH não atenderão aos critérios para o diagnóstico de TDAH quando adultas.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) frequentemente começa na infância. Pessoas que vivem com TDAH podem enfrentar dificuldades relacionados a atenção, a impulsividade, a auto regulação, a distratibilidade (se distrair com facilidade) e a hiperatividade (dificuldade de permanecer parado), dentre outras questões. Há ainda dificuldade para concentrar, organizar e terminar tarefas. O TDAH é tratável .

O tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) envolve uma abordagem multimodal (feito através de várias frentes), que pode incluir medicamentos, intervenções psicossociais, mudanças no estilo de vida e suporte educacional. O tratamento é personalizado, dependendo da idade do paciente, da gravidade dos sintomas e da presença de comorbidades. Pode incluir medicamentos prescritos pelo médico assistente, como os psicoestimulantes e não-estimulantes.

O tratamento inclui também, necessariamente, acompanhamento psicoterapêutico, sendo a abordagem principal a TCC focada em modificar padrões de pensamento disfuncionais, desenvolver autocontrole, aumentar habilidade de concentração e organização, dentre outras. É indicado ainda que, em conjunto, questões individuais que são consequências, ou não, do transtorno, sejam acolha e cuidadas e a psicanálise é a abordagem perfeita para isso .

Transtorno bipolar

O transtorno bipolar causa mudanças abruptas e incomuns no humor e no comportamento. Diferente das oscilações de humor naturais e esperadas, no transtorno bipolar essas variações são extremas, impactando profundamente nas diversas áreas da vida do indivíduo, bem como na de quem com ele convive.

Mudanças intensas no humor, nos níveis de energia, de sono e na alimentação, e a capacidade de pensar claramente prejudicada são sinais da manifestação do transtorno bipolar. O aumento do humor, ou euforia, é conhecido também como mania ou hipomania, e a queda como depressão. Entre os episódios, as pessoas com transtorno bipolar podem ficar completamente livres de sintomas. O transtorno bipolar pode se manifestar de forma diferente para cada pessoa. Por exemplo, algumas pessoas podem oscilar entre a mania e a depressão quase o tempo todo, enquanto outras podem ter anos de intervalo entre os episódios.

O tratamento do transtorno bipolar visa estabilizar os humores, prevenir episódios de mania e depressão e melhorar a qualidade de vida do paciente. É uma abordagem multimodal, combinando medicação, psicoterapia, e mudanças no estilo de vida. O tratamento é contínuo, mesmo em períodos de estabilidade, para prevenir recaídas.

O tratamento inclui o uso de medicações permanente de prescritas pelo médico assistente. Podem ser usados estabilizadores de humor, antipsicóticos, antidepressivos e benzodiazepínicos. A psicoterapia é essencial para fornecer suporte emocional, ajudar na adesão ao tratamento e ensinar estratégias de enfrentamento. Algumas estratégias são:

  1. Terapia cognitivo-comportamental (TCC) : Ajuda o paciente a identificar e mudar pensamentos e comportamentos disfuncionais, além de oferecer habilidades para lidar com o estresse, para identificar os sinais iniciais de um episódio maníaco ou depressivo para que o tratamento possa ser ajustado rapidamente.
  2. Psicoeducação : Ensina o paciente e sua família sobre o transtorno bipolar, como reconhecer os sinais precoces de episódios e a importância da adesão ao tratamento.
  3. Terapia com psicanalista: para trabalhar questões emocionais que podem ser gatilhos para as crises, bem como experiências passadas para compreende-las e assim poder quebrar ciclos e padrões de comportamento.
  4. Terapia familiar : Pode ser útil para melhorar a comunicação familiar e orientar os membros da família sobre melhores formas de apoiar os pacientes e lidar com as crises.

Mudanças no estilo de vida são essenciais para que o tratamento funcione. São elas:

  1. Redução do estresse : Técnicas de relaxamento, como meditação, ioga e mindfulness, podem ajudar a reduzir o estresse, que muitas vezes é um gatilho para episódios de humor.
  2. Rotina regular : Estabelecer e manter uma rotina diária consistente é importante para a regulação do humor. Isso inclui horários regulares para dormir, comer e se exercitar.
  3. Exercícios físicos : A atividade física regular pode melhorar o humor e o bem-estar geral, ajudando a aliviar os sintomas depressivos e maníacos.
  4. Evitar uso de substâncias lícitas ou não: O uso de álcool e drogas pode piorar os sintomas e impedir o tratamento. Parar ou reduzir o consumo é essencial para manter a estabilidade emocional.

Assim como as etapas anteriores, o monitoramento contínuo com consultas médicas e psicoterápicas regulares é indispensável e necessário para ajustar o tratamento conforme a evolução do paciente, para prevenir recaídas e para monitorar efeitos colaterais dos medicamentos. Há ainda mais opções de tratamento como a internação hospitalar, a eletroconvulsoterapia, dentre outras. O importante é saber que há tratamento disponível e que quando feito de forma consistente e adequada, proporciona maior qualidade de vida ao paciente.

Depressão

O Transtorno Depressivo, muitas vezes referido como depressão, é uma condição de saúde mental caracterizada por um estado persistente de tristeza, perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente apreciadas, e uma variedade de sintomas emocionais, físicos e comportamentais que impactam níveis na vida diária do indivíduo. A depressão pode variar em gravidade e duração, e pode ser variada em diferentes tipos, incluindo o Transtorno Depressivo Maior, o Transtorno Depressivo Persistente (distímia), e a Depressão Pós-Parte.

Principais características do transtorno: dificuldade de concentração : tristeza persistente, perda de interesse ou de prazer, sentimento de culpa ou inutilidade, alteração de apetite, distúrbios do sono, fadiga ou perda de energia, isolamento social, descuido com as atividades diárias e/ou com a aparência, ideação de autoextermínio.

As causas do Transtorno Depressivo são multifatoriais, incluindo:

  1. Fatores biológicos : Desequilíbrios químicos no cérebro, genéticos (histórico familiar de depressão) e alterações hormonais.
  2. Fatores psicológicos : Traumas passados, estresse psicológico, baixa autoestima e padrões de pensamento negativo.
  3. Fatores sociais : Isolamento social, relacionamentos interpessoais difíceis, e condições de vida adversárias.

O tratamento do Transtorno Depressivo geralmente combina psicoterapia de orientação psicodinâmica, como por exemplo, a psicanálise, com Terapia Cognitivo Comportamental. Há ainda muitas opções de medicamentos, bem como terapias complementares. Mudanças no estilo de vida, com a inclusão de atividade física regular, adoção de práticas de gerenciamento de estresse, mudanças na alimentação e frequentar locais que propiciem socialização e formação de novos vínculos.

TEPT

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é um distúrbio de ansiedade que pode se desenvolver após a exposição a um evento traumático, como violência, acidentes, guerras ou desastres naturais. Este transtorno é caracterizado por uma série de sintomas que afetam profundamente a vida emocional e funcional do indivíduo.

Por definição, o TEPT é uma condição mental que resulta em reações emocionais intensas e persistentes após a vivência de experiências traumáticas. Os indivíduos afetados frequentemente revivem o trauma por meio de lembranças intrusivas, pesadelos e flashbacks, o que pode levar a um estado constante de ansiedade e hipervigilância.

  1. Sintomas de Intrusão:
    Memórias recorrentes e involuntárias do evento traumático.
    Pesadelos relacionados ao trauma.
    Flashbacks, onde a pessoa sente como se o evento estivesse acontecendo novamente.
  2. Esquiva:
    Evitar lembranças, pensamentos ou conversas sobre o trauma.
    Evitar lugares, pessoas ou atividades que possam relembrar o evento traumático.
  3. Alterações Negativas na Cognição e Humor:
    Dificuldade em lembrar aspectos importantes do evento.
    Sentimentos persistentes de culpa, vergonha ou tristeza.
    Sentimento de desconexão dos outros e diminuição do interesse em atividades anteriormente prazerosas.
  4. Alterações na Excitação e Reatividade:
    Hiperexcitabilidade, incluindo irritabilidade, dificuldade para dormir e reações exageradas a sustos.
    Hipervigilância constante.

O tratamento para o TEPT geralmente envolve uma combinação de psicoterapia e medicamentos. Terapias como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) focada no trauma têm mostrado eficácia no tratamento dos sintomas, em associação com a psicanálise, para auxiliar o indivíduo a lidar com suas vivências e emoções. Em alguns casos, medicamentos como antidepressivos podem ser prescritos para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade e depressão associados ao transtorno.

Saiba que a terapia pode trazer transformações significativas para sua vida.
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Beijo grande, Rose

Referências bibliográficas

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37,

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