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Solidão e estratégias de enfrentamento

Esse é o segundo post da série de três textos sobre a dor da solidão e como lidar com ela.Se você perdeu o primeiro, clica AQUI e dá uma conferida! Solidão e estratégias de enfrentamento No post anterior, nós chegamos à conclusão de que a solidão é ontológica, ou seja, é uma condição inerente à…

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Esse é o segundo post da série de três textos sobre a dor da solidão e como lidar com ela.
Se você perdeu o primeiro, clica AQUI e dá uma conferida!

Solidão e estratégias de enfrentamento

No post anterior, nós chegamos à conclusão de que a solidão é ontológica, ou seja, é uma condição inerente à existência humana. Também descobrimos que a ciência identificou que áreas do cérebro relacionadas à dor física também são acionadas quando o sentimento de solidão aparece. Deixei ainda 4 estratégias para lidar com a solidão sem buscar distrações para fugir dela.

Hoje vou seguir compartilhando mais estratégias que podem te ajudar a ir além de apenas tolerar a solidão, mas te proporcionar a extrair os frutos que ela, e muitas vezes só ela, pode te dar.

1. Cultive a conexão interna e externa

Pesquisas mostram que o bem estar físico e psicológico advindo das relações sociais se devem não tanto pelo número de amigos que temos, mas principalmente pelo nosso senso interno e subjetivo de conexão consigo mesma e com os outros.

Em outras palavras, podemos ter apenas um amigo, ou até mesmo nenhum, mas se nos sentirmos conectados conosco e com o que nos transcende, colheremos os benefícios disso.

Esta descoberta corrobora a percepção de que tudo começa dentro de nós, e que em maior ou menor grau, podemos contar com recursos internos para gerar algum sentimento de conexão.

Percebe o quanto é valioso fortalecer seu senso de identidade e o autoconhecimento? Essas são habilidades que um processo terapêutico bem conduzido pode te ajudar a desenvolver.

2. Cuide do corpo

As distrações, a correria e a desconexão interna, muitas vezes, não nos dão margem para ouvir as necessidades do nosso corpo. Cultivamos hábitos alimentares ruins, abusamos do álcool, negligenciamos o sono e deixamos a atividade física para depois.

O dualismo mente-corpo, ainda tão presente, acaba colaborando para a visão equivocada de que a manutenção de uma boa saúde física tem pouco, ou nenhum, impacto na melhora da saúde mental.

Com relação à atividade física, por exemplo, sabe-se que a prática regular alivia a tensão e o estresse, aumenta a energia física e mental e melhora o bem-estar através da liberação de neurotransmissores específicos relacionados ao prazer, além de favorecer a regeneração neuronal e melhorar a qualidade do sono.

Além disso, cultivar hábitos saudáveis pode te ajudar a conhecer melhor seu corpo, aumentando sua sensibilidade para o que ele precisa em cada momento. Isso aumenta sobremaneira sua conexão interna que, como já vimos, é essencial para uma boa saúde mental.

3. Pratique atos de serviço

Essa é uma das minhas estratégias favoritas! Costumava colocá-la em prática diariamente no meu tempo de seminário.

“Seja gentil, pois todos que você conhece estão travando uma dura batalha”. A citação, atribuída a Ian Maclaren, e tão difundida nas redes sociais, ressoa profundamente em todos nós.
Acredito nos benefícios dessa prática não por considerar que sempre há alguém sofrendo mais do que você ou eu. Longe de mim querer mensurar a dor alheia. Somente quem a sente pode tentar dimensioná-la, e o que causa em sua vida.

Se feita de coração aberto, essa prática te dá a oportunidade de olhar para a dor do outro sem julgamentos, com o propósito de fazer algo por essa pessoa que sofre, você deixa de lado, nem que seja por alguns instantes, o que te machuca. A conexão gerada em momentos de vulnerabilidade é poderosa, e certamente deixará a solidão mais distante de ambos os envolvidos.

Não buscamos, com isso, resolver o problema da pessoa. Talvez não seja possível proporcionar nem o alívio da dor em si. No entanto, o foco é fazer algo que tenha o poder de trazer um sorriso genuíno no rosto daquele que sofre, gerando nele o sentimento de esperança ao perceber que ainda há alguém que se importa com ele.

O ato de serviço pode ser algo grande ou pequeno, o importante é que seja significativo para o indivíduo que o recebe.
Para descobrir qual seria esse ato significativo, você precisará investir tempo. Tempo para sair de si e se colocar no lugar daquela pessoa, não para pensar em como se sentiria ou no que você gostaria que fizessem por você, mas para entender como aquela pessoa se sente diante do que está vivendo, e o que tornaria o dia dela um pouco mais leve. Esse exercício aumenta nossa capacidade de conexão interna e externa, o que favorece o estreitamento de relacionamentos.

E, pense comigo: prática de atos de serviço é tão simples…
“Nunca se preocupe com números, ajude uma pessoa de cada vez e comece pela mais próxima você”, disse certa vez Madre Teresa de Calcutá.
O objetivo aqui não é projetar uma imagem de boa pessoa para a sociedade, ou alimentar essa autoimagem para se sentir bem consigo mesma. Seu ato de serviço é um ato de conexão que ajudará a diminuir sua solidão.

Sabe-se que a compaixão e o serviço podem ser de enorme benefício para quem os pratica. Muitas vezes, quando nos sentimos deprimidos ou sozinhos, nossa visão de mundo se torna estreita. Ajudar os outros pode mudar instantaneamente nossa perspectiva, além de nos revigorar, e é por isso que a compaixão tem sido associada ao bem-estar. Como disse Mahatma Gandhi: “A melhor maneira de se encontrar é se perder a serviço dos outros”.

No próximo, e último post da série sobre solidão, vou aprofundar um pouco mais nos atos de serviço e seus benefícios. Espero você aqui para continuarmos essa conversa, ok?
Se identificou com o texto? Te convido a ficar por aqui, pois vou seguir compartilhando estratégias para lidar com a solidão nos próximos posts. Saiba que a terapia também pode trazer transformações significativas para sua vida.


Se quiser conversar, me chame no whatsapp, tá?
Beijo grande, Rose

Texto originalmente publicado em meu antigo site em 2022

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https://repositorio.unip.br/wp-content/uploads/2021/05/10V38_n3_2020_p232a245.pdf

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