Atos de serviço | Uma alternativa à solidão
Como se sentir mais feliz fazendo coisas para os outros
Escolhi finalizar essa série de 3 posts a respeito da solidão me aprofundando um pouco mais a respeito dos atos de serviço. Se você ainda não leu os outros posts, clique AQUI para ler o primeiro, e AQUI para ler o segundo.
A escolha desse tema não foi aleatória ou por gosto pessoal. Quando falamos a respeito da solidão, falamos essencialmente da falta ou da sensação de falta de conexão. A dor da solidão advém, em grande parte, da percepção de ausência de conexões significativas, tanto para com o outro quanto para consigo.
Isto posto, é válido considerar que o antídoto mais eficaz para a solidão é a construção de relações profundas. E como eu disse anteriormente, nada nos conecta mais a alguém do que atendê-lo em sua vulnerabilidade. É disso que se tratam os atos de serviço. Conectar-se profundamente com alguém, na medida que eu ofereço a essa pessoa o meu tempo e a minha energia fazendo algo que proporcione a ela experiências e sensações positivas.
Essa é uma estratégia valiosa e com enorme potencial de transformação de vidas e ambientes. A conexão entre ajudador e ajudado tende a dissipar a solidão de ambos.Essa mesma conexão favorece a diminuição da intensidade de condições como depressão e outros transtornos mentais.
A beleza desse processo não para por aí. Ao contrário, se multiplica, retroalimentando um ciclo virtuoso. A satisfação de presenciar o surgimento de um sorriso largo na face antes sofrida é um raro presente destinado apenas aos que se propõem à prática de atos aleatórios de bondade. Ela retroalimenta a sensação de conexão e de vida com propósito. O coração se expande e se fortalece ao ser, simultaneamente, autora e parte, dessa dinâmica delicada e poderosa, capaz de transformar vidas através de pequenos atos.
Me veio a mente uma breve memória pessoal que deixo aqui registrada. Quando na graduação de enfermagem, estudei exaustivamente as produções da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, principalmente seu célebre livro Sobre a morte e o morrer. Naquele tempo, 2004, ainda não havia disponível o grande trabalho nacional da Dra Ana Claudia Quintana Arantes, intitulado A morte é um dia que vale a pena viver, cuja leitura eu recomendo.
Kübler-Ross trabalhou com pacientes moribundos durante toda a sua vida, lidando dia a dia com suas profundas vulnerabilidades. Certa vez, ela redigiu: “As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram a derrota, o sofrimento, a luta conhecida, a perda conhecida e encontraram seu caminho para fora das profundezas. Essas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que as enche de compaixão, gentileza e uma profunda preocupação amorosa. Pessoas bonitas não acontecem por acaso.”
Eu, Rose, acredito que as experiências difíceis pelas quais passamos têm o potencial de nos tornar mais profundos, mais sábios, mais compassivos e gratos e, em última análise, mais felizes e mais realizados. A prática de atos de serviço nos dá a possibilidade estar próximos do sofrimento alheio. Isso nos permite ir além das benesses da conexão humana, nos dando a chance de aprender com aquele sofrimento, sem ter que, necessariamente, experimentá-lo. Atos de serviço, portanto, além de mitigar a solidão, são uma valiosa ferramenta de autoaperfeiçoamento.
Isso posto, deixo aos solitários o convite – convocação para que vá em busca de alguém a quem servir. E, encontrando, sirva. De peito aberto, bem como ouvidos, olhos e coração.
Se identificou com o texto? Te convido a ficar por aqui, pois vou seguir compartilhando reflexões no blog. Saiba que a terapia também pode trazer transformações significativas para sua vida.
Se quiser conversar, me chame no whatsapp, tá?
Beijo grande, Rose
Texto originalmente publicado em meu antigo site em 2022
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