Quando falamos de saúde mental no Brasil, sabemos que presença de transtornos mentais na população brasileira tem se tornado uma questão cada vez mais alarmante, com consequências profundas tanto para os indivíduos quanto para a sociedade como um todo.
Dados recentes indicam que cerca de 10,2% da população acima de 18 anos sofre de depressão, enquanto 46,5% enfrenta problemas relacionados à ansiedade. Esses números revelam uma realidade preocupante, especialmente considerando que o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de saúde mental precária.
Consequências Econômicas
Os impactos econômicos dos transtornos mentais são significativos. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estima que esses transtornos geram uma perda de 4,7% do PIB brasileiro, o que equivale a R$ 397,2 bilhões anualmente. Essa perda se dá não apenas pelo aumento dos gastos com saúde — incluindo medicamentos e consultas — mas também pela redução da produtividade no trabalho.
Uma pesquisa aponta que cerca de 800 mil empregos são perdidos anualmente devido a efeitos debilitantes dos transtornos mentais. Além disso, a massa salarial é afetada em R$ 164,7 bilhões, superando o valor do Auxílio Brasil destinado a milhões de famílias. O aumento dos custos com saúde mental e a diminuição da produtividade resultaram em um ciclo vicioso que agrava ainda mais a situação econômica do país.
Impactos Sociais e Pessoais
Os transtornos mentais também têm consequências sociais profundas. Trazem impacto nas relações interpessoais, muitas vezes levando o indivíduo que dele sofre ao isolamento e à discriminação. A falta de compreensão e apoio tanto dos mais próximos quanto da sociedade de maneira geral, perpetua um estigma que inibe muitas pessoas de buscar auxílio.
O impacto na qualidade de vida das pessoas é devastador. Indivíduos com transtornos mentais enfrentam frequentemente dificuldades em manter relacionamentos saudáveis e em realizar suas funções diárias. A falta de suporte adequado pode levar ao agravamento dos sintomas e à necessidade de intervenções mais intensivas.
Além disso, os problemas de saúde mental estão frequentemente associados a um aumento nos índices de violência e aut0exterm1nio. Entre 2011 e 2022, a taxa de aut0exterm1nio entre jovens no Brasil cresceu 6% ao ano, refletindo uma crise silenciosa que exige atenção urgente.
Consequências Pessoais dos Transtornos Mentais
1. Impacto na qualidade de vida
Indivíduos que sofrem de transtornos mentais enfrentam, frequentemente, uma diminuição significativa na qualidade de vida. Ansiedade, depressão, angústia, medo e desesperança podem levar a um estado constante de desmotivação e desinteresse por atividades que antes eram prazerosas. Isso resulta em um ciclo vicioso, no qual falta de engajamento social e de atividades recreativas agrava ainda mais o transtorno.
2. Dificuldades nas relações interpessoais
Os transtornos mentais também afetam as relações familiares e sociais. A irritabilidade, o isolamento e a dificuldade de comunicar emoções podem criar barreiras entre amigos e familiares. Alguns transtornos podem causar a necessidade de isolamento, outros causam medo e ansiedade intensos, fazendo com que o indivíduo fique encarcerado em si mesmo. Muitas vezes, aqueles que sofrem de problemas de saúde mental se sentem incompreendidos ou estigmatizados, o que os leva ao afastamento social. Essa solidão pode intensificar os sentimentos de depressão e ansiedade, criando um ciclo difícil de romper.
3. Desempenho acadêmico e profissional
No ambiente acadêmico e profissional, os transtornos mentais podem provocar uma queda significativa no desempenho. A dificuldade de concentração, o cansaço mental e a falta de motivação podem levar a resultados insatisfatórios em estudos ou trabalho. Além disso, o absenteísmo aumenta, pois muitos indivíduos não tem energia para sair de casa, ou se sentem incapazes de cumprir suas responsabilidades diárias devido ao impacto emocional dos transtornos.
4. Risco aumentado de comorbidades físicas
A saúde mental está intimamente ligada à saúde física. Indivíduos com transtornos mentais têm maior risco de desenvolver doenças físicas, como doenças cardíacas e diabetes, dentre outras, devido a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e negligência em cuidados médicos. Algumas condições físicas ou problemas de saúde crônicos, podem desencadear ou intensificar questões mentais.
5. Aumento de comportamentos de aut0exterm1nio e autodestrutivos
Uma das consequências mais graves dos transtornos mentais é o aumento do risco de aut0exterm1nio. Dados recentes indicam que o número de óbitos por lesões autoprovocadas no Brasil ocorreu nos últimos 20 anos, o que evidencia a necessidade de priorizar o planejamento e implementação de ações com resultados mensuráveis, que vão muito além de campanhas como a do Setembro Amarelo. O aumento da ideação su1cida entre jovens é particularmente preocupante, destacando a necessidade urgente de intervenções eficazes.
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Necessidade de Políticas Públicas
Diante desse cenário desolador, é evidente que a criação de políticas públicas adequadas é essencial para manejar a crise da saúde mental no Brasil. É crucial aumentar o acesso a serviços de saúde mental, incluindo terapia e apoio psicológico, especialmente em comunidades vulneráveis. A implementação de programas educativos sobre saúde mental pode ajudar a desestigmatizar essas condições e encorajar mais pessoas a buscar tratamento. É necessário, ainda, promover uma cultura organizacional que priorize o bem-estar mental no ambiente de trabalho. As empresas devem ser incentivadas a implementar programas de saúde mental que ofereçam suporte aos funcionários, contribuindo para um ambiente mais saudável e produtivo.
No entanto, é preciso ir além. É preciso reavaliar as estratégias de tratamento para os casos de ideação ou tentativa de aut0exterm1nio, desenvolvendo e implementando mais opções para o tratamento de crise, que vão além da internação hospitalar. Esta tem mostrado eficácia reduzida em grande parte dos casos, e ainda reforça o estigma do portador de transtorno mental, além de o colocar como indivíduo que precisa ser excluído do convívio social devido ao que sente. Apesar de a luta antimanicomial ter trazido incontáveis benefícios, a prática nas internações em instituições de saúde mental ainda mostra-se violenta, deshumanizada e com baixíssima compaixão e empatia dos próprios funcionários com relação aos internos. Muitas vezes, as internacões são fonte de novos traumas ao invés de aliviar a condição do paciente.
Percebe-se, portanto, que uma análise da presença de transtornos mentais na população brasileira revela uma realidade preocupante, com consequências econômicas e sociais significativas. Um esforço coletivo, tanto o governo quanto a sociedade civil, é necessário caso queiramos implementar uma política de saúde pautada em uma abordagem integrada, que priorize a saúde mental como um componente essencial do bem-estar geral da população. Esse é um possível caminho para mitigar os impactos negativos desses transtornos e oferecer acesso a tratamentos dignos para toda a população que deles precisa.
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referências bibliográficas
Valor econômico; Jornal USP; Psi do futuro; Saúde Business; Conexão saúde; IPQHC; CNN; Hospital Santa Mônica








